| CRÍTICAS | Prisoner of War

Se não soubesse e me dissessem que Prisoner of War era um filme perdido dos anos 80, eu acreditaria piamente. É certo que Scott Adkins é capaz de ser o único que continua a perpetuar o estereótipo do action hero hiper-musculado da década de 80, mas mesmo assim nenhum dos seus filmes anteriores tem o mesmo cheiro a nostalgia que Prisoner of War, aquele que normalmente só encontramos em filmes de fãs como Kung Fury ou o Commando Ninja.

Scott Adkins faz então de piloto da força aérea Britânica – mas educado em Hong Kong pelos grandes mestres das artes marciais – que é capturado pelos japoneses durante a Segunda Grande Guerra e colocado num campo de prisioneiros no meio da selva. O campo é liderado pelo comandantes Ito (Peter Shinkoda), que rapidamente fica embeiçado por Adkins. O realizador Louis Mandylor tenta disfarçar a tensão homo-erótica, mas Prisoner of War é sempre mais Feliz Natal, Mr. Lawrence do que Desaparecido em Combate 2.

O coronel Ito também tem, muito pertinentemente, um ringue montado no meio do campo de prisioneiros, o que é óptimo e dá um jeitaço para vermos Adkins a despachar à porrada uns quantos japoneses, de quando em vez. As cenas de pancadaria são boas e confirmam Adkins como o grande nome do cinema musculado da actualidade.

Tudo po resto é o típico filme xunga, que acaba por se estacar dos demais por ter um pouco mais de production values. É certo que não se preocupa sequer em esconder uns pormenores anacrónicos (como as tatuagens de alguns dos soldados americanos) ou a disfarçar outros mais toscos (como as bandeiras japoneses pintadas à mão em folhas de papel A3), mas Prisoner of War tem pinta suficiente para ser levado a sério. Depois aparece uma tipo gira (Gabbi Garcia) para lavar a vista, um plano manhoso para escaparem da selva e um dose industrial de um racismo que já não se usa desde que o muro de Berlim caiu, tudo isto para embrulhar num simpático Double Cheeseburger.

Título: Prisoner of War
Realizador: Louis Mandylor
Ano: 2025

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