| CRÍTICAS | Avatar – Fogo e Cinzas

Ao fim de 15 anos, James Cameron terminou finalmente a sua trilogia Avatar e esta foi tudo aquilo que prometeu: um épico de enormes proporções, que criou todo um novo universo e que revolucionou os efeitos-especiais digitais. E, chegado ao fim deste último tomo, Avatar – Fogo e Cinzas – que é ainda maior e mais espectacular do que os antecessores -, voltamos a ficar surpreendidos por repetir o mesmo efeito dos anteriores: assim que saímos da sala de cinema, o filme apaga-se por completo das nossas mentes. Sabemos que vimos mais uma aventura imersiva(lol) no mundo dos Na’vi, em Pandora, com cenários de cortar a respiração e batalhas bíblicas, mas não fica nenhuma cena, um dialogo ou um pormenor qualquer para a posterioridade. Vasco Câmara fez a melhor descrição do filme até ao momento: expressivo como uma lista de contactos no telemóvel e denso como uma folha de papel em branco.

E, no entanto, não há como negar os méritos de Avatar – Fogo e Cinzas no domínio do blockbuster. Porque é tudo aquilo que esperamos de um filme-pipoca com um orçamento com mais zeros do que o PIB nacional: cenários de cortar a respiração (mais uma vez as cenas debaixo de água são um regalo), sequências de acção gigantescas e todo um novo universo cinematográfico, com novos povos (desta vez os Ash People, uma versão má dos azulões de Pandora), uma língua criada do zero e toda uma flora e fauna que faz com que Terrence Malick apareça muitas vezes referenciado em textos sobre Avatar – Fogo e Cinzas. Mas o melhor de tudo é que Avatar – Fogo e Cinzas não deixa de ser legível, sem cair naquele estilo epiléptico e fragmentado que se tornou norma de grande parte dos blockbusters da actualidade. São as vantagens de ter um realizador que sabe da poda.

Voltamos então às personagens iniciais, com Jake Scully (Sam Worthington) e a sua nova família dos Na’vi a procurarem defender Pandora – e as baleias(!) – dos invasores-colonizadores, enquanto que Stephen lang tenta saldar contas passadas. Desta vez há a nova ameaça do tal Ash People, para provar que em Pandora não é tudo maravilhoso e perfeito. E Varang (Oona Chaplin) é mesmo uma das grandes vilãs deste ano cinematográfico, sendo mesmo uma das razões que fazem Avatar – Fogo e Cinzas valer a pena.

O que ninguém estava propriamente à espera é que James Cameron abraçasse desta vez a new age com tanta força. Avatar sempre foi um panfleto pelas alterações climáticas e, à medida que o mundo foi avançando na direcção dos Trumps desta vida, tornou-se ainda mais profético, com os seus neo-colonizadores em nome dos recursos naturais. Mas Avatar – Fogo e Cinzas tem ainda uma costela espiritual que, apesar de existir nos tomos anteriores, não era tão assumida como aqui.

A verdade é que este episódio é, apesar de tudo, aquele que consegue ter mais espessura dramática, não se limitando apenas aos arquétipos dos bons contra os maus. Quer dizer, pelo menos parecem existir algumas nuances aqui e ali, mas a verdade é que pode muito bem serem apenas reflexos daquela superfície tão bem polidinha. O Duble Cheeseburger tanto dá para um lado como para o outro, fica ao vosso critério. Ao menos são três horas de encanto visual, como se estivéssemos a ver um jogo de computador de última geração.

Título: Avatar – Fire and Ashes
Realizador: James Cameron
Ano: 2025

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