
O Predador, que nos foi apresentado em 1987 pela mão de John McTiernan, é a mais espectacular criatura do cinema. Eu sei que não é unânime e, se não concordarem comigo, eu vou respeitar a vossa opinião, mas estão errados e odeio-vos.
Por isso, não admira que desde logo essa altura se tenha tentado criar um universo cinematográfico, incluindo inclusive a outra que é a segunda melhor criatura do cinema: o xenamorfo, do Alien – O Oitavo Passageiro. Depois de uma sequela que não ofende ninguém, Predador 2, entregou-se a demanda a Paul W. S. Anderson, que assinou os dois filmes do Alien vs. Predador e que toda a gente tenta agora esquecer que existem. Entretanto saíram mais dois filmes que também não deixaram grande lastro, até o franchise chegar às mãos de Dan Trachtenberg.
Predador – Primeira Presa não é propriamente um grande filme, mas o seu sucesso permitiu que Trachtenberg tivesse carta branca para avançar no seu próprio universo cinematográfico do Predador. E depois Predador – Derradeiro Assassino, animação que entretém sem deslumbrar, eis o primeiro grande mergulho numa nova abordagem ao maior caçador de todos os tempos.

Predador – Badlands é o primeiro filme em que um Predador é o protagonista. E o que isso faz é humanizar a criatura, dando-lhe profundidade, para o bem e para o mal. No entanto, não deixa de ser curioso que Trachtenberg tenha escolhido logo o mais fraco de todos esses caçadores. Dek (Dimitrius Schuster-Koloamatangi) é o mais pequeno do seu clã, o que faz com que seja desconsiderado pelos seus pares, incluindo o seu pai, que manda o irmão acabar com a sua vida e tirar aquele empecilho dos seus caminhos. O irmão recusa, o que não deixa de ser estranho tendo em conta que os Yautja não são propriamente conhecidos por essas noções de compaixão e humanidade, e Dek consegue escapar. E o que é que ele decide fazer? Ir caçar a mais perigosa criatura de todas, o Kalisk (pensavam que era o xenamorfo?), e levar a cabeça ao pai como sinal de despeito.
Dek aterra então no planeta Genna e temos o regresso à essência do filme original: o survivor movie, mas desta vez com a criatura no lugar da presa. Parecia prometedor, já que estamos a falar do maior caçador do universo a ter que lutar pela vida, mas rapidamente começamos a perceber que, se calhar, as coisas não são bem assim. Dek está sempre à beira da morte, atacado por árvores-trepadeiras, flores que explodem e outras ameaças tão aterradoras como estas.
Como se a coisa não pudesse piorar, Dek vai ainda fazer equipa com metade(!) de uma robô da Weyland-Yutani (Elle Fanning) e com um macaquinho(!!). Epá… Claro que, no final, os três conseguem capturar o Kalisk, mas o que realmente importa em Predador – Badlands é perceberem que o importante é a amizade, a família e o espírito de ajuda. Ou seja, todo o oposto de que era aquela criatura que era uma máquina de matar perfeita do filme de John McTiernan. E a cena pós-crédito dá-nos uma ideia do que será a sequela e não parece que a coisa vá melhorar. Para já fica-se no Happy Meal, depois logo se vê.

Título: Predator – Badlands
Realizador: Dan Trachtenberg
Ano: 2025
