
Wicked foi o grande blockbuster de Natal de 2024, com óptimos resultados de bilheteira, uma colecção de nomeações ao Oscar (apesar de só ter vencido dois nas categorias técnicas), temas com airplay suficiente e até um par de tendências no TikTok. Entretanto, a sequela (ou melhor, a parte 2, porque agora os filmes vêm assim, divididos) estreou exactamente 1 ano depois e a recepção não poderia ter sido mais fria. O que é que estreou mesmo? Parece que ninguém podia querer saber menos. A verdade é que as pipocadas actuais são quase todas assim, cheias de bling bling, que enchem o olho e o ouvido, mas que depois se esvaem com a mesma facilidade. É como a chiclete, completamente descartável, mastiga e deita fora.
Para quem ainda se lembra do primeiro filme, que estreou há uns já longínquos 12 meses, Wicked reavivava pela enésima vez o franchise de O Feiticeiro de Oz, mas desta vez para contar a origem da Bruxa Má do Oeste (Elphaba) e da Bruxa Boa do Sul, Glinda (Ariana Grande). Ambas haviam sido colegas na escola de feitiçaria, de rivais passaram a bffs e, no final, terminavam mais ou menos desavindas, com a primeira a ser vilificada e manipulada pela Madame Morrible (Michelle Yeoh) e o grande Feiticeiro (Jeff Goldblum). Pelo meio havia ainda um subplot com os animais a serem perseguidos e ostracizados, algo que previ que iria ganhar maior predominância neste segundo episódio.

E, afinal, não podia ter-me enganado mais. Não só esse enredo secundário não ganha destaque, como desaparece por completo ao fim de uns minutos. O que não deixa de ser estranho, tendo em conta a intriga política que Wicked – Pelo Bem comporta. Esqueçam o filme de liceu de Wicked, este é um segundo tomo bem mais negro, com Elphaba a tentar desmascarar o fraudulento Feiticeiro (Jeff Goldblum a divertir-se à grande mais uma vez e, provavelmente, com a melhor cantiga deste filme), mas a não conseguir-se desenlear-se das intrigas cada vez mais apertadas.
Wicked – Pelo Bem é assim maior, mais palavroso e mais espectacular, mas em qualidade é proporcionalmente inverso. Não que seja um filme bem pior do que o anterior, mas é que desfeita a novidade, não existe aqui muita coisa nova, que sobreviva além dos arquétipos, da masturbação digital e das cantigas. Ainda por cima, esta coleção de músicas é completamente insossa, sem uma única coreografia de jeito. Os momentos limitais limitam-se às personagens a debitar as linhas em modo cantado. Até o novo solo de Ariana Grande, composta de propósito pelo veterano Stephen Schwartz (não confundir com o antigo defesa-esquerdo do Benfica) para ela brilhar, não passa de uma bufa.
Entretanto, no último acto, há uma casa que chega a voar num ciclone e aterra sobre a Bruxa Má do Este, matando-a. A miúda que vem lá dentro rouba-lhe os sapatos e vai em peregrinação ver o Feiticeiro. Tudo isso acontece fora de plano, claro, em respeito por Judy Garland, mas é o grande momento em que os franchises se cruzam. No entanto, apesar de prometer muito, Wicked – Pelo Bem também não cumpre plenamente a promessa de contribuir para o cânone. É certo que nos dá a origem do Homem-de-Lata com pompa e circunstância, mas depois o Leão é uma fajutice digital e o Espantalho… nem sequer o vemos. Este episódio é como a maioria dos outros filmes do franchise, um Happy Meal dispensável.

Título: Wicker – For Good
Realizador: Jon M. Chu
Ano: 2025
