| CRÍTICAS | Stoker

No início deste século, o cinema sul-coreano andava nas palminhas do mundo, fascinados com uma nova vaga que varria o país. Nessa altura, o ponta-de-lança titular indiscutível dessa equipa era Chan-wook Park, graças a Oldboy – Velho Amigo e ao brilharete em Cannes, patrocinado por Quentin Tarantino.

Adivinhava-se o salto para Hollywood, mas apesar de ter acontecido, ainda demorou uns anos e mais uma mão cheia de filmes. Stoker foi o título o filme, mas a estadia de Park em terras do Tio Sam foi curta. Não que o filme desiluda, mas a) as expectativas foram muito altas e b) o filme é demasiado inteligente para quem buscava um filme de terror mais acessível.

Talvez por estar a filmar pela primeira vez em língua inglesa, Chan-wook Park quis prestar tributo ao mestre do suspense, Alfred Hitchcock. Stoker não ficaria nada mal na filmografia do autor de Psico, já que é um thriller psicológico daqueles que mergulha fundo na psique humana e com um forte toque feminino.

India (Mia Wasikowska) acaba de fazer 18 ano e está naquela altura em que a menina se torna mulher, um momento com tanto de simbólico como de marcante para a arte em geral. Ao mesmo tempo, o pai (Dermot Mulroney) suicida-e de forma tão inesperada quanto suspeita e um tio desconhecido (Matthew Goode) surge misteriosamente para o funeral e para se instalar lá em casa. Daí até às insinuações sexuais entre os dois e entre ele e a mãe (Nicole Kidman) é um pulinho.

Com o seu habitual formalismo estilizado, Chan-wook Park dificulta a vida ao espectador e exige-lhe atenção, com uma linha narrativa que não é propriamente não-linear, mas que pode desacelerar ou sobrepor-se a outra se o realizador assim achar necessário. São várias as camadas de leitura de Stoker, mas lá no fundo é um coming of age, com tanto de cruel quanto de violento, como que a querer convencer-nos que a violência é biológica ou um vírus contagioso.

Essa é a parte boa de Stoker. A parte má é que, por vezes (demasiadas, aliás), é mais forma do que conteúdo. O formalismo é tão gélido que acaba por nos afastar da história, cujo conteúdo psicologicamente emocional, nos pedia para envolver mais, de forma mais calorosa. Ou seja, no final leva o barco a bom porto, mas não nos preocupamos assim tanto com ele como deveríamos. Mesmo que a viagem seja um agradável McChicken.

Título: Stoker
Realizador: Chan-wook Park
Ano: 2013

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