| LISTAS | Os Melhores Filmes de 2025 do Tio Xunga

Seguindo a solene tradição de Natal de fazer uma lista meio farsolas com os melhores filmes do ano para este blogue, vamos lá dar início às hostilidades. Antes de mais, o disclaimer do costume em que se diz que há muito filme de 2025 ainda para ver e, provavelmente, foram tomadas péssimas decisões na altura de os escolher. É um risco que assumo e uma consequência que aceito. Vamos então a isto, sem ordem específica.

Volta Para Mim, de Danny & Michael Philippou

Uma obra-prima em todos os sentidos, mas tão visceralmente perturbadora que duvido que alguma vez a volte a ver. Fiquei sentado, imóvel, com as unhas cravadas no tecido do sofá. Acompanhei os créditos até o ecrã se apagar por completo, perdido em pensamentos, a perguntar-me que escolhas teria feito eu naquela mesma teia emaranhada. A verdade inquietante instalou-se em mim como uma segunda pele. Talvez eu me tivesse tornado no próprio vilão que condenei.

Pecadores, de Ryan Coogler

Esqueçam o filme de Nolan que está para estrear em 2026. Esta é a verdadeira Odisseia. Uma viagem por debaixo do tecido da realidade, dos momentos que moldam o mundo em segredo, sempre nos seus bastidores. Um prodígio visual e narrativo, bem acompanhado por efeitos especiais que facilmente esquecemos de estar perante nós. Só pela cena da viagem musical pelo mundo dos sonhos e todas as suas interpretações e insinuações, as chamadas “pissadas” quando usadas em conversas de café. 

A Meia-Irmã Feia, de Emilie Blichfeldt

Há uns dias fui a uma encenação do bailado Cinderela por uma companhia de Coimbra. Originalmente escrita por Sergei Prokofiev e coreografada por Rostislav Zakharov, é uma daqueles bailados super fáceis e acessíveis, porque toda a gente conhece a história e, ao contrário de outros, consegue acompanhar a narrativa. Mas desta vez pairava sobre mim, qual piano prestes a esmagar-me, este filme de Emilie Kristine Blichfeldt, cuja negridão narrativa não só o torna extremamente actual nos tempos autistas que vivemos, como faz muito mais sentido do que a historieta para recém nascidos que a Disney remisturou. 

Batalha Atrás de Batalha, de Paul Thomas Anderson

Paul Thomas Anderson de volta quase garante automaticamente entrada nesta lista. Desta vez em modo de acção, obsessão, paranóia e ansiedade. Durante 2 horas e meia somos transportados para uma luta que, percebemos rapidamente, também é nossa. Fight the power!

28 Anos Depois, de Danny Boyle

Danny Boyle regressa a este universo que nos é tão querido. As primeira notícias, de que iria ser filmado inteiramente com iPhones, não ajudaram, mas depois com a estreia lá se compôs. Uma história de amadurecimento rápido, um rito de passagem, uma luta perante a adversidade que rapidamente se transforma numa dissertação sobre a morte, o luto e a continuação da vida com as memórias daqueles que amamos e já não estão connosco. Tem um cliffhanger porque afinal é  o primeiro de uma trilogia. Pfff….. Não há paz neste mundo.

No Other Choice, de Park Chan-Wook

Park Chan-wook está outra vez no menu, desta vez com um filme cuja narrativa, o formato e a mensagem são completamente diferentes entre si e, quando impressos em acetato e sobrepostos, dão-nos uma visão de que a soma de todas as partes é superior ao seu valor linear. Ou lá como se diz. O que são acetatos? Procurem no Google.

Keeper – Para Sempre / O Macaco, de Osgood Perkins

Dose dupla de um Osgood Perkins em forma, depois do complacente e indefinido O Coleccionador de Almas. Filmes simples e eficazes, cada um no seu estilo, mas incapazes de serem ignorados. Se for para isto, pode continuar a despachar dois por ano que cá estamos para os receber de braços abertos.

O Último Destino – Descendência, de Zach Lipovsky & Adam B. Stein

Final Destination is back, baby! Mais do que um universo cinemático, uma carimbadela na cultura popular que dificilmente será apagada ou esquecida. Como um murro nas beiças do Phantom. Quem é o Phantom e qual o poder do seu murro? Procurem no Google

Superman, de James Gunn

Um filme de super-heróis pateta para um super-homem cheio de defeitos e dúvidas existenciais. Parvo e pueril, e por isso gostamos tanto dele. O super-cão ajudou imenso.

À tangente

Hora do Desaparecimento, de Zach Cregger

Gostar deste filme é como apoiar um político corrupto: é preciso ignorar algumas falhas, como o trabalho policial atabalhoado à la Simpsons. Tirando isso, é uma experiência cinematográfica excepcional, com um ótimo desenvolvimento das personagens e uma narrativa bem entrelaçada. Não tenho a certeza de ter gostado das mudanças de tom, quase como um sapateado constante, mas ninguém pode acusar este filme de ser aborrecido ou lento. 

Menção Honrosa

O Velho e a Espada, de Fábio Powers

Sim eu sei, é de 2024. Mas sinto-me quase parte da equipa e já ando numa relação de anos com ele. Estreou em 2025 nas salas e tive o prazer de o apresentar na casa do cinema de Coimbra e de o ver sentado ao lado do realizador e da sua equipa. De mãos dadas. 

2025, o ano em que os Clássicos da Literatura foram Arrastados na Lama

Frankenstein, de Guillermo del Toro

É certamente um filme bonito, capaz de manter a nossa atenção ao longo de toda a sua duração apenas pelo prazer de admirar a sua estética. Mas num campo tão prolífico como o do Frankensteinismo militante, é preciso muito mais do que as habituais demonstrações de trauma shakespeariano, longas divagações filosóficas à luz de velas e dissertações intermináveis sobre alienação, desajustamento e a ausência de amor e compreensão. Já vimos tudo isso umas duzentas vezes só no ano passado. O gore, esse, é bem fixe!

Drácula – Uma História de Amor Eterno, de Luc Besson

Bom primeiro ato, fiel ao livro de Bram Stoker, e usando a belíssima estética de Coppola. Assim que começa a improvisar, a qualidade cai por um penhasco em direção ao vazio. 

Guerra dos Mundos, de Rich Lee

É, fomos enganados a ver uma publicidade com 90 minutos da Amazon.

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