| CRÍTICAS | Logan – The Wolverine

Ao longo da sua filmografia, James Mangold tem andado quase sempre a remexer na americana. Começou a partir de Walk the Line, o biopic de Johnny Cash, esse monumento do folclore norte-americano, continuou com o remake de O Comboio das 3 e 10 e depois manteve-se de forma mais ou menos declarada nos restantes trabalhos. Por isso, não foi de admirar que o trailer deste Logan – The Wolverine tivesse o Hurt, versão Johnny Cash, ou que o filme se passasse na fronteira entre os Estados Unidos e o México, como se fosse uma espécie de alt-western.

Mas a utilização do Hurt nesse tal trailer tinha ainda outro intuito, o de mostrar como esta nova sequela de Wolverine em nome próprio era um filme mais humano. É que Logan – The Wolverine apresenta-nos um herói envelhecido e doente, cheio de cicatrizes, num mundo em que os mutantes foram quase todos dizimados. É, portanto, um filme sobre o fim de uma era muito específica, que rima com o facto de este ser também a última vez que Hugh Jackman vai encarnar o herói das garras de adamantium. E esta é a décima vez(!) que o faz, um número bem respeitável para qualquer franchise cinematográfico.

Estamos então no futuro. O ano é 2029 e, como dito acima, os mutantes foram praticamente varridos da face da terra. Wolverine está envelhecido e vai juntando uns trocos para sobreviver, ao mesmo tempo que toma conta do professor Xavier (Patrick Stewart a fazer de avôzinho demente com muita pinta), fragilizado, envelhecido e medicado fortemente. E quando tudo parece ser apenas uma questão de tempo até ao final da história, eis que surge Laura (Dafne Keen que, quando começa a abrir a boca, é tão má actriz que percebemos porque é que passa a primeira metade em silêncio), uma jovem mutante com muitas semelhanças com o próprio Wolverine (em tudo!), e um grupo de novos jovens sobredotados (if you know what i mean) que poderão vir dar que falar.

Este é o primeiro filme dos X-Men a ser rated r – seguindo o exemplo de Deadpool, ainda que toda a gente o negue e diga que essa decisão já estava tomada antes do sucesso do herói de Ryan Reynolds -, o que significa que Logan – The Wolverine é um filme violento. E duro. Há vários membros decepados, muitos bandidos perfurados na cabeça, algum gore mais gráfico e um bodycount superior ao que estamos habituados. E isso é giro. Afinal de contas, todos nós sempre quisemos ver um filme com um Wolverine completamente chumbado da vida, dando corda ao seu instinto animal e a assumir-se como o badass que é.

O pior é que, depois de uma primeira metade agradável (mesmo sem deslumbrar particularmente), Logan – The Wolverine começa a engatar e a transformar-se em mais um blockbuster, igual a todos os outros da Marvel. Ok, tem menos CGI, é um fac to. James Mangold começa a engonhar, o filme começa a perder-se num sentimentalismo de papelão e damos por nós a olhar para o relógio, espantados por o tempo nunca mais andar. Ou seja, Logan – The Wolverine é o melhor dos três filmes do Wolverine, o que também não era difícil, temos de reconhecer. Mas ser um Double Cheeseburger não faz dele nenhum prodígio dos filmes de super-heróis.Título: Logan
Realizador: James Mangold
Ano: 2017

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