| CRÍTICAS | O Fantástico Senhor Raposo

É capaz de não haver em toda a história do cinema um realizador com uma marca autoral tão vincada quanto Wes Anderson. Ao realizador norte-americano basta vermos a paleta de cores para identificarmos o filme, o seu formalismo mais formalista que os formalistas que vai contra todas as regras dos directores de fotografia ou aqueles planos cheios de mise en scene para sabermos ao que vamos. E se Wes Anderson já o faz nos filmes de imagem real, num filme de animação essa marca autoral destaca-se  a dobrar.

Anderson experimentou então a animação com O Fantástico Senhor Raposo, pequeno filme artesanal de stop motion baseado no livro de Roald Dahl, um dos pais da literatura infantil. E a liberdade formal dos bonecos permitiu-lhe ser ainda mais rígido com o seu formalismo estético, num jogo de diaporamas que acabaria por influenciar determinantemente os seguintes Moonrise Kingdom e, especialmente, Grand Budapest Hotel.

Recorrendo à sua família de actores habitual – Bill Murray, Jason Schwartzman… -, à qual adiciona os dois protagonistas – George Clooney e Meryl Streep – para dar voz aos seus bonecos, Wes Anderson conta a história de uma raposa (Clooney) que não consegue resistir ao seu instinto predatório e orquestra um assalto aos três agricultores que vivem nas imediações da sua toca. Quando estes, revoltados, unem esforços para o capturar, o Senhor Raposo vai colocar em risco não só a sua família, como toda a fauna local, ao mesmo tempo que reflecte sobre as relações com a esposa (Streep) e o filho (Scwartzman) e serve de metáfora à máxima não podemos esconder quem no fundo somos.

No fundo, Anderson utiliza o universo infantil para reflectir o mesmo que anda a explorar em toda a sua filmografia. Ou seja, as relações humanas e familiares, a insegurança, a auto-estima e a afirmação pessoal. E apesar de ser um filme de stop motion, com animais antropomorfizados, direccionado sobretudo para os mais novos, Anderson fá-lo da mesma forma que faz todos os seus outros filmes: com a mesma paleta de cores, o mesmo formalismos e os mesmos planos que são a sua imagem de marca. Por isso, não é de estranhar que, tal como a maioria dos seus outros trabalhos, este também seja um bem delicioso McRoyal Deluxe.Título: Fantastic Mr. Fox
Realizador: Wes Anderson
Ano: 2009

Deixar uma resposta

O seu endereço de email não será publicado. Campos obrigatórios marcados com *