Não sei se vi pouco cinema em 2025 ou se este foi um ano de mau filmes. A verdade é que não vi nada particularmente memorável. Em contrapartida, vi muita coisa ruim e outras tantas que me irritaram profundamente. A primeira tem a ver com esta tendência actual de enfiar os títulos dos filmes quando estes já vão a meio. Mas de onde é que isto apareceu? E porque é que toda a gente anda a repetir isso como se fosse bué intelectual? Outra coisa que me chateou profundamente foi o facto do maior caçador do universo ter necessitado da ajuda de um macaquinho para sobreviver num mundo cheio de plantas. C’um caraças, até me fazem falar mal.
Em contrapartida, gostei da Perfídia Beverly Hills e também quero um filme dela em nome individual e gostei da Varang, a vilã do último Avatar. E gostei à brava do Twinless, mas não consigo perceber se estreou cá ou não ou se vai sequer estrear.
Menção Honrosa
Together – Juntos, de Michael Shanks

Together – Juntos é um óptimo exercício de estilo, que funciona tanto a nível formal como temático. Utilizando os códigos do terror e do body horror em particular, Michael Shanks ensaia uma reflexão sobre as relações, levando literalmente longe de mais a ideia de juntos.
5º Lugar
Guerreiras do K-Pop, de Chris Appelhans & Maggie Kang

Como assim?, um filme sobre uma girls band de k-pop que combate demónios durante a noite e que tem que enfrentar uma boys band de k-pop de também demónios entrar na lista de melhores filmes do ano? A verdade é que ao fim de quase 100 anos, As Guerreiras da K-Pop redefine finalmente o conceito de musical de animação, que se mantinha inalterado (salvo pontuais excepções que confirmam a regra) desde que Walt Disney nos deu Branca de Neve e os Sete Anões. E as canções até são giras…
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4º Lugar
Flow – À Deriva, de Gints Zilbalodis

Dois desenhos-animados na lista deste ano, se bem que Flow – À Deriva já é do ano passado. Fábula criacionista, survivor movie e documentário naturalista à David Attenbourough, Flow – À Deriva é uma óptima animação, em que os animais se comportam como animais e nós nem percebemos como não estamos habituados a isso no cinema.
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3º Lugar
Sisu – Estrada da Vingança, de Jalmari Helander

Sisu não me impressionou por aí além. É certo que não há como não gostar de um bom arraial de porrada, mas esse Western spaghetii finlandês era demasiado derivativo. Agora, a sequela insiste na mesma tecla, mas é ainda mais violento, sangrento e exagerado. Na verdade, não há nada de diferente para com o filme antecessor, mas por algum motivo diverti-me muito mais desta vez. E as referências agora são mais amplas e vão de Mad Max – Estrada da Fúria (estão a ver de onde vem o subtítulo português?) a James Bond.
2º Lugar
Twinless, de James Sweeney

Twinless começa por ser um filme sobre irmãos de luto pela morte dos seus gémeos, o que por si só já era uma ideia do caraças, mas depois ainda saca um twist e torna-se num filme diferente sobre a perda e o luto. O filme indie parece estar a ter uma nova vida, depois de ter sido absorvido pela indústria e, além de Twinless, houve ainda este ano um interessante Splitsville – Amor em Maus Lençóis.
1º Lugar
Hora do Desaparecimento, de Zach Cregger

A premissa é desde logo óptima: numa determinada noite, à mesma hora, todas as crianças de um subúrbio norte-americano saem de casa a correr para nunca mais serem vistas. Depois o novo filme de Zach Cregger assume uma estrutura coral e, o melhor de tudo, não procura twists ou reviravoltas espertalhonas para surpreender o espectador. Tudo é o que parece e isso é mais do que suficiente.
