| LISTAS | Os melhores filmes de 2025 da Sara Galvão

Mais um ano, mais uma voltinha nas lides intermináveis da Sétima Arte, antes que se esfume nas brumas do tempo graças aos canais de streaming. Inacreditável que tenha durado mais de cem anos, se virmos bem as coisas. Claramente, daqui a uns anos estarei aqui a fazer o meu top 10 de TikToks para o Pedro e pronto, não vale a pena lutar contra o inevitável. 

Enquanto isso não acontece (mas se quiseres o top de TikToks de 2025 pode-se arranjar, camarada Pedro), vamos fazer mais uma listinha de filmes que claramente não vi à pressa na última semana, após me aperceber que só vi porcaria o ano todo. A culpa é minha por ter gasto 3 horas e 20 minutos da minha vida a ir ver ao cinema o Avatar 3: Ocean Drift

De notar (porque isto, além de um top 10, é uma reflexão profunda sobre os leitmotifs que agraciam os nossos ecrãs) que 2025 foi um ano em que o cinema esteve bastante dentro do tema dos Pais, Papás e Daddies. Zeitgeist? Coincidência? Mensagem subliminar de Hollywood que se apercebeu de que estamos todos a precisar de umas palmadas? Incerto. 

Sem mais demoras, ainda mais porque o Pedro já me está a enviar mensagens frenéticas a perguntar pelo texto, aqui vai o meu top 10 de filmes de 2025.

10º lugar
Pillion, de Harry Lighton

Eu sou uma mulher de gostos simples e um dos meus gostos é o Alexander Skarsgard vestido – ou, muitas vezes no caso deste filme, despido – de cabedal. A nossa lista abre com um filme sobre um homem em busca de um Daddy, numa relação mais tóxica do que Chernobyl e que eterniza no ecrã a experiência única e quiçá vintage de ir a uma sala de cinema. Estranhamente engraçado, com laivos dos anos dourados dos filmes explícitos dos anos 70, Pillion é o filme ideal para ver com toda a família, desde que a família tenha uma cave secreta cheia de correntes e a avó faça kinbaku em fez de crochet. 

9º lugar
O Esquema Fenício, de Wes Anderson

Para todos aqueles que sabem o quanto odeio o Wes Anderson e a sua propensão para fazer o mesmo filme vezes sem conta – calma, este não vai ser o único momento nesta lista em que tresloucadamente escolho um filme de um realizador que normalmente odeio. Cá está, o paizinho Benicio del Toro complica a vida da filha freira. Também temos o Paul Dano da Temu, Michael Cera, e alguns cameos barbudos para apimentar a coisa. Não sei, camaradas. Se calhar estava num sítio mental muito estranho quando vi isto, mas achei piada, ao ponto de me rir(!!!) e ainda me deliciei com toda a encenação teatral. I’m losing my gift!

8º lugar
A Uma Terra Desconhecida, de Mahdi Fleifel

Quiçá como um corta-sabores e regresso às minhas origens humildes como apreciadora de cinema obscuro polaco dos anos 80, eis um filme que quase ninguém viu, sobre dois refugiados palestinianos a tentar sobreviver em Atenas. Este não é o filme típico sobre o tema – os protagonistas são tudo menos exemplos morais e, mais do que vítimas das suas circunstâncias, também o são das suas escolhas. Apesar de tudo, este cinzento ético torna-os terrivelmente humanos e desafio quem quer que seja a não ficar completamente devastado com o final (não é exactamente spoiler considerando 1) o tema e 2) que não é um filme americano). 

7º lugar
Sonhos e Comboios, de Clint Bentley

Serei parte do problema por incluir nesta lista filmes que estrearam no Netflix? Nah. Não fazendo originalmente parte da minha lista de “coisas que tenho de ver antes do fim do ano, senão parece que estou completamente desligada da realidade cinéfila actual”, no fim de o ver numas 30 listas de pessoas que, na sua maioria, respeito, decidi tentar a coisa. Não sendo o tipo de filme do qual geralmente gosto (muitos dizem que tem qualquer coisa de Terrence Malick, outro grande na minha lista de realizadores odiados), a verdade é que não consegui tirar os olhos da televisão do início ao fim deste épico sobre o Homem Comum. Lento, lindíssimo e com uma performance de se tirar o chapéu de Joel Edgerton (que faz de homem de família e pai que, bem, passa por coisas), é mais um para a lista de baba e ranho e possivelmente uma das melhores adaptações literárias desta década. 

6º lugar
Companion, de Drew Hancock

A melhor maneira de ver este filme é não saber nada sobre este filme antes de o ver. Jack Quaid (que é o actor ideal para este tipo de papel) tem a companheira perfeita, Sophie Thatcher. Ao levá-la para passar algum tempo com os amigos, o caos começa. Quantos filmes começam com um grupo de amigos numa casa isolada no meio do nada? Porque raio é que grupos de amigos insistem em ir para casas no meio do nada? Nota: isto não é um filme de terror. Mas há uma espécie de figura patriarcal. Quiçá todo um patriarcado. 

5º lugar
Eddington, de Ari Arister

A minha grande dúvida após ver este filme é quem precisa mais urgentemente de terapia, o Joaquin Phoenix ou o Ari Arister. Com toda uma reflexão sobre máscaras e Covid, tópicos sobre os quais todos temos enorme afecto e saudade, e o daddy supremo da internet, Pedro Pascal, é um pouco inútil tentar perceber que raio Arister está a tentar dizer com este western para os nossos tempos. A melhor maneira de apreciar este filme é sentar, relaxar e apreciar a completa loucura do terceiro acto. É o filme preferido deste ano do John Waters e também está na lista de outro realizador que odeio, o PT Anderson. Mesmo assim, vou deixar aqui ficar em quinto lugar porque, bem, fica bem na imagem de mim que quero projectar a quem lê isto que não receio proclamar o meu gosto por filmes que a maioria das audiências odiaram.  

4º lugar
Guerreiras do K-Pop, de Chris Appelhans & Maggie Kang

Mais um filme do Netflix, mais um prego no caixão da Sétima Arte (mas calma, que a Odisseia estreia para o ano). A única animação desta minha lista que – como verão brevemente – também falha em incluir um único documentário – mas pelo menos este é co-realizado por uma mulher (check). É impossível não gostar deste filme. Ok, talvez se tiverem filhos e o tiverem de ver 300 vezes seguidas, talvez – talvez – a coisa perca o encanto. Mas para mim, que só o vi duas vezes e ouvi a banda sonora umas cem, é um filme fantástico que nunca me vou fartar de recomendar a toda a gente. Não franzam o nariz ao título, camaradas. Isto é bastante bom e sabe a pato. 

3º lugar
Bugonia, de Yorgos Lanthimos

Cá está o Yorgos de volta à sua faceta mais tresloucada após ter acalmado ligeiramente o pito no seu último filme para poder ser nomeado pela Academia. Uma Emma Stone careca, presa numa cave pelo Jesse Plemons, é obrigada a actuar em vários filmes de qualidade vária, realizados por um tipo grego estranhíssimo. Ou qualquer coisa assim, já vi o filme há algum tempo. Aproveito aqui a oportunidade para pedir desculpa para quem estava na sala de cinema comigo, porque, em retrospectiva, rir-me violentamente ao ver a cena da calculadora (mais não digo porque, bem, não quero estragar a surpresa a ninguém), poderá demonstrar que tenho alguns indícios de psicopatia e comportamentos anti-sociais na minha personalidade. Não sei. Talvez precise de ir para uma casa no meio do nada com o meu grupo de amigos para tirar as dúvidas.

Nota: Este filme é dos poucos da lista onde o problema não são daddy, mas sim mommy issues. 

2º lugar
Batalha Atrás de Batalha, de Paul Thomas Anderson

Até há uns dias atrás, este filme estava em primeiro lugar, lançando-me numa crise existencial porque, como disse acima, eu odeio o PT Anderson desde que me tive de sentar a ver o Haverá Sangue. Também odiei o Linha Fantasma mas, após ver o Leonardo Dicaprio aos gritos com o telefone porque se esqueceu de um password (quem nunca), começo a pensar que o meu ódio, se calhar, é ao Daniel Day-Lewis e não o senhor Paul Thomas. De qualquer maneira, este filme é excelente e vai possivelmente ganhar montes de prémios para o ano que vem e esperemos que um dos prémios vá para a camisola justa do Sean Penn. Porque se não for, não há justiça neste mundo e estamos todos perdidos. 

1º lugar
No Other Choice, de Park Chan-wook

Eu tenho um enorme fraquinho por cinema coreano. E dentro do cinema coreano, o Park Chan-wook parece continuar a fazer filmes que me enchem o bucho intelectual e cinematográfico de uma maneira muito especial. Um pai de família (Lee Byung-hun, que também faz a voz do Gwi ma no meu quarto lugar) é despedido da fábrica de papel onde trabalha e tem uma abordagem bastante interessante à procura de um novo trabalho. Uma verdadeira inspiração para todos os desempregados, qual LinkedIn qual quê. Comédia negra do melhor que há – e reparo que muitas das minhas escolhas deste ano podem ser incluídas dentro deste género – sei que quase ninguém ainda viu isto, mas vejam, vejam. Não digam que vêm daqui. 

Outros filmes que me encheram as medidas mas não o suficiente para entrarem no top

A Hora do Desaparecimento (pai desesperado procura filho). Pecadores. WarfareAinda Estou Aqui (tecnicamente do ano passado, mas só vi neste). Jay Kelly (pai ausente). 28 Anos Depois. Mickey 17Prestes a Explodir (se tivesse incluído a explosão nuclear estava no topo, mas sendo assim, não negoceio com terroristas). Foi Só Um Acidente (infelizmente fui ver convencida que era uma comédia negra e saí de lá traumatizada). Grand Theft Hamlet. Zootropolis 2 (que é sempre estupidamente bom). Secret Mall Apartment. Sorry, Baby. Afterlives (um documentário obscuro sobre a destruição de arte por extremistas que não vai para onde julgam). Knives Out 3 ou lá como se chama (sempre a fim de me babar com Father Josh O’Connor)

Grandes desilusões do ano. 

The Mastermind (a babança pelo Josh O’Connor, descobri, não chega para um filme que achei aborrecidíssimo). O Match Perfeito (estava à espera de tão mais). Riefenstahl (oportunidade perdida). Sentimental Value (mais um pai, mais um aborrecimento). Frankenstein (me monster, me no kill).

Filmes que ainda não consegui ver, mas se conseguisse, se calhar a lista ficava diferente. 

Marty Supreme. Die My Love. Orwell: 2+2=5. Black Bag. Eternity – Para SempreUrchin. Sirat

Outras coisas deste ano

Mortes de grandes que me eram bastante queridos como o David Lynch, Tom Stoppard e Rob Reiner. A série Adolescência que pôs toda a gente obcecada no Reino Unido. O bicampeonato do Sporting. A segunda temporada do Severance que achei que ia ter tempo de ver nas férias de Natal mas nãaaaao, tenho de escrever a lista para o Peeeeedro. A estranha relação do Justin Trudeau com a Katy Perry. O Declínio da Sidney Sweeney e dos seus Enormes Seios. O quão irritante é ver pistachio (dUbAi StYlE) adicionado a tudo o que é minimamente comestível. O novo álbum do Bad Bunny. O ninguém dar importância ao Joker – Loucura a Dois. O apagão. O esquecer-me constantemente de quem é o novo Governo Português e depois atirar coisas à televisão quando vejo – e ouço – os ministros a dizer coisas.

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